01 dezembro 2006

TV DIGITAL É DISCUTIDA ENTRE ONGS NA COMUNIDADE DE PEIXINHOS.

A comunicação é uma das ferramentas mais utilizadas em todo mundo, ela é um elemento revolucionário, influenciador. Através dos meios de comunicação é possível ficarmos bem ou mal informados sobre tudo que acontece. Será que não podemos também informar? Até que ponto as informações que recebemos é satisfatória e explicativa? E a nossa participação nisso tudo, está restrita em apenas sermos receptores?


Em certas ocasiões as informações são apresentadas de forma incompleta, lúdica e ilusória, consequentemente enxergamos apenas o que nos é passado, não conseguindo identificar o que realmente existe e que além de espectadores é possível também sermos os informadores e expositores de idéias.

Em Peixinhos vem crescendo cada vez mais o interesse pela discussão que envolve questões que quase sempre não são debatidas e nem compreendidas pela população menos favorecida.

Uma dos assuntos que vem fomentando discussões é a TV digital,que tem em sua proposta um sistema de comunicação semelhante ao de uma TV, mas que funciona com muito mais recursos, como um mecanismo que possibilita interagir e opinar em programas direto de sua residência, sem precisar fazer uso do telefone e que proporcionara aos telespectadores uma imagem com alta resolução.

Vem estimulando mobilizações entre grupos e organizações, que têm entre seus interesses, levar informação e levantar pontos de reflexão sobre o assunto, que aborda também a comunicação e a maneira que ela está sendo apresentada à população.

Grupos como: Boca do Lixo, Peixearte, GCASC, Shudo, Auçuba, RDA, TAO, CCLF, FOPECOM, MABI e Farinha do Rock se reuniram no dia 8 de Outubro, na praça da caixa D’água localizada no bairro de Peixinhos, para discutir sobre “comunicação como direito humano” e ética na mídia.

O evento teve início com um cortejo pelas ruas do bairro, a partir daí aconteceram, apresentações de grupos de percussão, Rádio Aberta poesia, oficinas de Comunicação, exibição de Vídeos e Debates.

O cenário do evento foi composto por cartazes e aparelhos, veículos de comunicação, que retratavam questões e leis as quais estão envolvidas os meios de comunicação, e que não estão sendo respeitadas pela maneira que estes veículos adotaram para passar a informação.






Entrevista com Gabriel: Integrante do Movimento Cultural Boca do Lixo.




IN’FORMAR: Qual o objetivo do debate dentro das comunidades?

Gabriel: Mostrar para a comunidade que a comunicação é um direito humano, não é só um produto, como vídeo, televisão e fotografia.

IN’FORMAR: Como as organizações que participaram do debate vêem a aprovação do projeto da TV digital?




Gabriel: Nós vemos essa aprovação do projeto com repúdio, pois não houve uma participação popular, não foi discutida, pelo menos aqui em Pernambuco a discussão não foi bastante ampla, pra que fosse avaliado. E aí todo mundo concorda? O modelo que foi aprovado vai atender as necessidades que estão aí?



IN’FORMAR: Quais os pontos positivos e negativos da TV digital?

Gabriel:
o ponto positivo é a multiplicidade de canais, a interatividade, vai ser possível mostrar mais produtos, abrindo um leque de possibilidade nos canais. A possibilidade de você poder participar e propor idéias, opinar na programação, tendo em vista a intenção de mais espaço consequentemente haverá maior participação. Agora um dos pontos negativo que me faz discordar com a aprovação do projeto, é o fato de não ter sido discutido*, e o meu medo é que acabe nas mãos das nobres famílias que dominam a comunicação aqui no Brasil.


IN’FORMAR: Como surgiu a idéia de realizar esse ponto de discussão com a comunidade?

Gabriel: Acontece todo ano no Brasil a Semana Nacional pela Democratização da Comunicação, que é no dia 8 de Outubro, e a nossa idéia era de transmitir o que é essa TV digital que ta vindo átona. Nessa semana acontecem eventos descentralizados, que são eventos Políticos Culturais, que provocam as pessoas a refletirem sobre a comunicação.


IN’FORMAR:
Existe ética nos meios de comunicação?

Gabriel:
Se for avaliar de uma maneira geral, eu acredito que não existe, alguns programas ainda se conscientizam pouco com o telespectador, canais como a TV Cultura, que é um canal aberto, ainda se preocupa com questões voltadas para o lado educativo,mas não há um interação direta, não é possível influenciar na Programação.


IN’FORMAR:
Os Direitos da Mulher, da criança e do adolescente e Direitos Humanos são frequentemente violados pelos programas sensacionalistas?

Gabriel:
Com certeza, o fato de eles quererem estereotipar algumas características, principalmente querer estereotipar Gays como ridículos, isso mostra que eles não têm a compreensão da diversidade e do respeito.

IN’FORMAR: Como aconteceram as articulações entre os grupos para que se fosse organizado o evento?

Gabriel:
as articulações com os grupos foram através de reuniões, com a idéia de que em cada comunidade um grupo articulasse os outros e marcassem reuniões. Como o grupo Boca do Lixo se articulou com alguns grupos do bairro de Peixinhos, com algumas bandas e também com algumas organizações do Coque. Foram duas reuniões para organizar e decidir a proposta do evento, o que seria,o dia, o que entraria em discussão e como seria composta a grade do evento.

IN’FORMAR: Como funciona essa Parceria com a FOPECOM (Forum Pernambucano de Comunicação)?

Gabriel: A gente já participava das reuniões realizadas pelo FOPECOM desde o ano passado, ele reuni várias entidades com o intuito de discutir a comunicação no estado, e a participação foi feita por meio de um convite do Movimento Boca do Lixo.

IN FORMAR:
Em sua opinião o debate conseguiu o esperado ou ainda falta algo?

Gabriel: A temática é bem complicada, não é uma coisa que está no ouvido de todo mundo, principalmente aqui no bairro, o acesso a informação ainda não é democrática, então eu percebo que a participação do público, no meu ponto de vista, não foi tão satisfatório, porém muito válida. Eu acho que começa por aí, é fazendo eventos, por mais que venham três, dois, no próximo vem cinco dez, em outro vinte, cinqüenta.



IN FORMAR:
Esses encontros para debates irão acontecer mais vezes?

Gabriel: Sim, nós pretendemos propor novas discussões, esse evento que aconteceu na Praça da Caixa D’água foi um evento coletivo,mas enquanto instituição o Movimento Cultural Boca do Lixo realiza outras atividades na rua, como Recital Temático, a Biblioboca Mambembe, são eventos políticos culturais, não se restringe só ao entretenimento, o entretenimento sim, mas recheado de outras coisas, recheado de inquietação e de vontade de falar. É intenção nossa propor novas discussões, não só anualmente, mas bimestrais ou semestrais.


Gabriel:
Eu acredito que a saída pra esses problemas está na cooperação, não no sentido de sobrepor alguém, demonstrar a cooperação unilateral, acho que é uma via de mão dupla, e pra isso tem que existir comunicação, comunicação e cooperação estão bem integradas, e nós temos que trabalhar bem isso.



Por Lay Goncalo
layinformar@hotmail.com

FOTOGRAFIA: Rafaela Lima

Agência IN'FORMAR

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